Dois por Onze

Festival Bike 2017

Mais um ano, mais uma presença no maior festival do ciclismo e utilização da bicicleta de Portugal, que este ano deixou um sabor a pouco, pois a redução a apenas um pavilhão foi uma má aposta.

Para termos uma melhor noção, o Festival Bike não só é a maior feira em Portugal como também é uma feira com mais do dobro do potencial da Unibike (equivalente espanhol também realizado todos os anos).

O Festival Bike ocupou uma área de cerca de 7000m2 com um número de visitas a ultrapassar os 25000 visitantes, dos quais cerca de 25% profissionais.
Já a Unibike com uma área de cerca de 28000m2 sendo que cerca destes 20000m2 são exteriores, em termos de visitas a conta com cerca de 45000 visitantes. Ora, uma feira numa chamada “grande capital” europeia, em termos de conversão de área vs visitantes, é inferior à nossa.

No entanto nem tudo são rosas (ou para nós ciclistas, descidas) pois estes números referem-se ao ano passado (2016).

Este ano a organização do Festival Bike, a CNEMA detentora também do espaço onde se realiza a feira, decidiu reduzir a área de exposição, voltando a cerca dos 6000m2 incluindo área exterior, dos anos anteriores (2013/2014), o que levou alguns grandes nomes a não marcarem presença.
Numa altura em que o ciclismo, a bicicleta e o desporto são cada vez mais palavras de ordem, parece um tiro no pé esta redução na “qualidade” do certame.

Apesar de nem sempre quantidade representar qualidade, fiquei com a sincera sensação de que este ano faltaram mais iniciativas, e que o certame era apenas mais uma obrigação de calendário ao invés do grande evento que este poderia ser.
Não sendo por natureza um mero critico seguem algumas pequenas ideias:

-Melhor disposição dos stands evitando um grande hot-spot central, criando assim uma periferia mais “cold”

– Mais exposição de novidades ao invés de a criação de espaços de venda. Creio que uma feira deve ser uma montra e não uma gigante loja de comércio agressivo de modo a tentar rentabilizar o custo

– Criação de espaços de ligação entre fornecedor <-> cliente. A apresentação de produtos, daquilo que foi um bom ano para o ciclismo não existiu.

No entanto há que focar os pontos positivos de mais um ano, do que é a maior feira do sector em Portugal.

Os eventos desportivos, todos eles com muita presença, e em grande número. Excelentes demonstrações do que são os vários desportos relacionados com a bicicleta.
A pista para os mais jovens tomarem contacto com os diferentes desafios de andar de bicicleta.
O gran-fondo que já existe há algumas edições, o já mítico Lisboa-Santarém, e a maratona de BTT são sempre grandes e bons marcos no calendário amador.

Apesar da disposição ter tido uma zona muito central, a feira é sempre positiva, e que continue a existir no nosso calendário. Devemos nós ciclistas talvez exigir mais, sendo que o potencial existe. Como podemos ver, os números falam por si, e o sector em Portugal está em franca expansão, confirmado pelos números da ABIMOTA (ver post anterior).