Dois por Onze

Atualidade no ciclismo

 

Vivemos tempos mágicos, em que o ciclismo além de estar na moda, merece a melhor maior? atenção. Nunca houve tanto tempo dedicado à aerodinâmica, nem tantos engenheiros ligados à área.

 

Nas últimas semanas vimos novidades a serem lançadas em todas as direções.

12 velocidades pela Campagnolo, desviadores com ajuste de tensão na mola pela Shimano, espigão de selim com suspensão (uma mistura entre espigão de montanha e um selim Tabor) num projeto pela Redshift, novas gamas de rodas pela Mavic para as bicicletas de estrada/enduro/terra/faz tudo.

 

O futuro é hoje, e não há melhor época para o ciclismo como a atual.

Com o advento de tanta tecnologia, temos que fazer a pergunta: estaremos a chegar ao limite? Estaremos a exagerar na tecnologia e desvirtuar o que é o andar de bicicleta?

Temos 12 velocidades, carbono de todas as espécies, temos bicicletas extremamente capazes de todas as atividades, temos qualidade a preços muito acessíveis, temos informação sobre treinos, suplementação específica e até Zwift.

Nada disto é dito num tom negativo, pois sou fã de todas as novidades, no entanto, será toda esta tecnologia para todos?

Obviamente que a F1 não afeta diretamente os nossos carros no dia a dia*, do mesmo modo que a utilização profissional das bicicletas como ferramenta de vencer provas, não influencia a compra da bicicleta para ir ao café.

Portanto, nem todos precisamos de 12 velocidades em que as primeiras 7 têm apenas 1 dente de diferença. É bonito que exista? É lindo. Precisamos todos? Não.
Estamos a inovar apenas no sentido de mais (tecnologia), sem grande motivo aparente? Para o ano, será 13 mudanças, 14 no ano a seguir… terá lógica? Ficaremos por aqui?

 

Tenho a sorte de ter andado num conjunto de bicicletas totalmente distintas entre elas. Desde fixas de estrada, até elétricas de montanha. E todas elas trazem a mesma satisfação de andar de bicicleta. Fiz km’s e subidas numa bicicleta com 12 velocidades, pratos 42×52 e 14-26 atrás. Faltava mais uma mudança a subir? Sim, no entanto, isso não me impediu de divertir, e de andar de bicicleta.

 

O ciclismo está vivo, e recomenda-se.

Que nenhum de nós deixe o ciclismo porque não temos o último grito.

 

 

*É mais provável um ciclista ser também dono de um carro, que um não ciclista.